Quero para mim o espírito desta frase, transformada

A forma para a casar com o que eu sou: Viver não

É necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em goza-la penso.

Só quero torna-la grande, ainda que para isso

Tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.

Só quero torna-la de toda a humanidade; ainda que para isso

Tenha de a perder como minha.

Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho

Na essência anímica do meu sangue o propósito

Impessoal de engrandecer a pátria e contribuir

Para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.


(Fernando Pessoa)

Se sou…

Posted: 19th January 2010 by R. Guedes in Uncategorized

Sou niilista assumido ao movimento negativista da crença e da parte mais translúcida de mim.

Sou parte da parte imposta pelos dogmas sociais, vagos e indissociáveis, da conveniente natureza animal do homem.

Sou militante da razão sem esperança da reacção de explicações lógicas ou de silogismos.

Sou falaz e atroz buscando apenas a eternidade moral do comportamento.

Sou isto ou aquilo.

Sou apenas isto.

Perdão.

Apetece-me PENSAR, é PECADO?

Posted: 25th December 2009 by R. Guedes in Uncategorized


Examinar a mente diverge da extrema pesquisa empírica do sofrimento, diverge da extrema necessidade do estudo da reflexão critica do pensamento, a finalidade de estudo deve ser o vazio teórico e o constante conhecimento produzido metodologicamente e sistematizado da insignificância do nada.

Tomemos como pilares centrais da acção o animal e o seu meio ambiente, ou seja, o Homem cosmopolita, e como estratégia apenas o interpretar de um outro animal, um outro Homem cosmopolita, a conexão existente dará como fruto final o nada, o vazio de opinião crítica envolve a acção, torna-lha uma simples realidade a seus olhos, uma simples experiencia pessoal, um estado de espírito baseado em informações readquiridas numa outra fase experimental do passado. A partir desta inter-relação entre os pilares da falsidade humana, temos que, a verdade da análise é tão só um ponto nevrálgico discordante do próprio processo.

Como se constrói então uma mente? Como se faz então uma analise mental credível?

Estarei doente?

 

As Coisas

Posted: 16th October 2009 by R. Guedes in Uncategorized

Nas muralhas de outra existência permanente, mostro-me indignado com o pretérito mais que perfeito da fuga existencial das coisas. Comandante vencido em batalhas de sabedoria, parceiro ausente de mim, trai-o a vontade de estar, por um qualquer copo de três numa tasca vizinha dos meus sonhos.

Exercito a mente assediando o futuro, esquecendo o passado, agradecendo ao campo a virtualidade de existir, de ser capaz de existir e permanecer. Apodreço as mágoas e as tristezas rumo à planície das outras almas.

Suores frios rompem a minha pele, como estrondos das noites perdidas sem dormir e ganhas dentro de mim, abrindo as portas para a eternidade da vida simples, ignorante, pobre, cruel, de semelhantes.

Maravilhosa agnosia esta que se encontra entre o conhecimento e o não saber nada, entre concreto e abstracto, entre preto e branco, agua e azeite, covardia deste fruto que deneguei provar mas que dentro de mim nasce a todo o ápice.

Abrilhanto as escotilhas das pessoas que comigo repartem os copos de três numa tasca vizinha dos meus sonhos.

 

EMOÇÕES

Posted: 15th October 2009 by R. Guedes in Uncategorized

A emoção não me subtrai a visão clara dos factos, ilumina-me as grutas da mente, retira-me o estrépito e os pensamentos tumultuosos da existência de mim…

SAL

Posted: 14th October 2009 by R. Guedes in Uncategorized

Sofro a atracão oculta do sol que brilha em mim, ponto suspenso do prazer, perfeição do círculo que incluso arranca as postas do ser.

Esfera da vida nobre de sonhos, pálidos pecados de mim em vós, reflexos de alma cadente em sobressalto constante com a brecha aberta em meu peito, extensão de deserto, simetria, eixo, pavimento de sonhos que serão plenos de muitos outros, reflexos erráticos e infinitos, tempo compacto de olhares distantes mas permanentemente permanentes que amortecem a velocidade constante da realidade, golpes de sabre japonês abrindo o peito dos que tentam viver, apenas viver…

Sofro a atracção que penetra por mim, infinita, oscilante, porem real e proporcional á ilusão das noites tristes em mim.

 

 

D`VOLTA

Posted: 11th October 2009 by R. Guedes in Uncategorized

Confesso a minha dor ao vento surdo do norte, à adormecida praia lusitana, mosaico dentro de mim, vontade expressa de odiar, rede complexa de ilusões perplexas, confundido a linguagem com a plenitude da palavra e a palavra com o silêncio das páginas nunca escritas, confundindo o narrador com as personagens inexistentes e o espaço com os limites da alma.

Saio a perder deste árduo desafio da esquina da vida irremediavelmente perdido numa aresta, talvez só mais um sentimento da história pequena dos seres, pequenos também, condenados à falta de privilégios restando-lhe apenas a humilhação, único sentimento da memória humana realmente sentido. Fiquei cego pelo sol baixo do fim de tarde, não estou mais em condição de contar o tempo. A brisa não agita mais a morada da minha alma, nem os braços que me trouxeram ate aqui, têm mais forças para remar a terra firme, é inglório o esforço esforçado.

A terra grita, mas a incomensurável imensidão da água abafa o som, come-lhe o sentido, eu até gostava de ouvir o brado dos deuses, mas não gostaria de falar, faltam-me os braços para remar. Quem dera terem-me deixado ficar um par de braços extra para as eventualidades da triste solidão, remaria rumo a qualquer sítio, não este que a vista talha de esguelha postada ao vento surdo do norte, vendo ao longe a adormecida praia lusitana.

5 MINUTOS NA MESA DE JOGO DA VIDA

Posted: 10th August 2009 by R. Guedes in Uncategorized

Acordei. Era dia, estava completamente renascido, levantei esta âncora pesada da vida dos outros e ancorei no porto da minha irremediavelmente desaparecida nos tempos duros desta ausência de permanente multidão. Lancei as cartas com o ás de trunfo entre os dedos, escondido dos outros, fiz cara de perdedor, acabei perdendo a inevitável simplicidade dos dias, tristes, serenos, desprovidos de razão, enquanto a multidão se junta em volta desta mesa redonda que deixa ver o céu, jogo mais uma carta, só uma de cada vez. Ganhei, desta vez ganhei, quero ganhar sempre, é bom ganhar, sabe bem, sabe a sangue dos outros, sabe a maresia, a luar, quero ganhar sempre.

Esvanece-se esta luz do sol que em jeito de foice corta a cabeça ao dia e deixa a penumbra entrar dentro dos olhos dos pecadores, é sábia a ausência de luz, é cruel, amiga dos contrabandistas de esperança, dos mortais, apenas eu e o jogo. A multidão tem medo da escuridão deste jogo da vida, afasta-se da morte da luz.

Estou prisioneiro deste mar de sentimentos, jogo mais uma carta? Ainda tenho o ás entre os dedos, está agora na outra mão, guardo o para a eventualidade da morte me aparecer no jogo, deixo-o para o fim, dilema, terei de resolver se vou ou não ao jogo. Quero ir e se perco? Não vou perder, afinal tenho perdido uma vida inteira, a sorte há-de mudar…

Este acordar foi diferente, foi o acordar de uma vida de sono enamorado de mim próprio, não pela ausência de mim , mas sim pela ternura de mim próprio em mim.

Esta ausência de luz bate nos meus olhos doentes como cicatriz da solidão, do passado tantas vezes equacionado, do presente constantemente constante e a ficção do futuro, se o perder nada mais perco que aquilo que nunca tive, do que aquilo que nunca hei-de ter, do que aquilo que algum dia nunca quis ter e que agora tanto almejo, é algo entre o ocaso e alvorada, algo entre a ausência e a prova dela com os olhos doentes a verem um cadáver, algo entre deixar de ser e ser permanentemente ser, algo entre a vida eterna e a morte permanente de mim.

Vou jogar o ás, tem de ser, vou ganhar, tem de ser. Os outros olham me de soslaio com caras de sentida sensação de perca, olham me entre os óculos dos olhos doentes entretanto corrigidos nas sabias mãos de outros jogadores da medicina, sinto-os, vejo o sangue deles correr entre as veias cansadas do tabaco que juntos consumimos, sinto os e eles sentem-me, esperam por mim, esperaram pela vida, pela maneira constante que tenho de os observar, de os criticar em silencio murmurando para mim, palavras de raiva, tenho o ás, eles não sabem.

Encontrei ainda uma reserva de suor dentro de mim, vou faze-los esperar mais um pouco, desta vez vou ganhar, desta vez tem de ser..

Tenho a mesa entulhada de paciência, tenho tempo, eles sabem, espero mais um pouco tenho que elevar-lhes a pulsação para ser mais fácil evitarem o erro, e eu? Tanta vez deveria ter deixado elevar a minha ao limite na esperança do desafio deste jogo, agora saberia esperar mais e melhor, agora era rei em vez de plebeu, agora era eu quem comandava e teria olhos saudáveis postos em mim.

No baú dos meus dedos guardo o ás, vou joga-lo. Espero mais um pouco, só mais um pouco quero analisar a reacção da senhora da frente, será que ela também tem um ás? Não me parece, esta morta para a vida, morreu, cheira a cadáver tem cara disso, foi morta pela ausência de luz, vejo-o. O cavalheiro à minha direita não, esse, esta vivo, mas é desprovido de sentido, não tem opinião, se tem não a exprime, hummm está morto também, estão todos aqueles que não têm opinião, que tendo-a não a exprimem, está morto sim. O da minha esquerda, não é de esquerda, demasiado organizado para o ser, sim não é mesmo. Tem tez morena, olhos cálidos, sereno, abstracto, é este que tem o outro ás, deve de ser, é o de espadas, o meu vale mais, é de copas, eu agarrado ao ás de copas quando andei uma vida inteira a fugir deles, sim deles, fugi também ao de oiros nunca me prendi à matéria a não ser à matéria revoltante do arrependimento que talha a alma e faz a vida insípida, fugi sempre, agora tenho o ás de copas, o que vale mais de todos, está aqui dentro deste baú. Chegou a hora tenho de joga-lo, vou faze-lo lentamente pois quero saborear a revolta dos outros, sentir as lágrimas escorrerem lhes para dentro, invisíveis, tantas que largo a cada vez que perco, a Senhora e os Cavalheiros alguma vez viram? Não eu não deixo, perdoem-me este egoísmo latente, é fruto do cinismo que convosco fui aprendendo.

Vou perturbar o equilíbrio dos presentes, vou tossir, desconcentra-os, bem pensado. Tossi, vem da alma esta tosse, acto contínuo arranquei um conjunto de olhares e de bocas entre abertas, eu que andei tanto tempo a olhar e a abri a boca, era agora o alvo das atenções. Nos dedos tinha o ás, é agora tenho que aproveitar este compasso de tempo morto de descompensação mental deles para os surpreender, vou joga-lo agora, espero mais um pouco, gosto deste sabor, desta maneira de ser e de estar, estou à esquerda do Cavalheiro que está à minha direita, sou de esquerda estou no sitio certo, pensava eu, estou à direita do cavalheiro que esta à minha esquerda, sim mas eu sou de esquerda, a Senhora está à minha frente mas á direita de um e à esquerda de outro, é de direita, eu de esquerda.

Estou viciado nisto, neste analisar permanente dos outros, vícios adquiridos em mesas de café, nas bichas para a outra margem de mim. Porque se diz agora “filas” bicha é Português gosto mais do termo, perdoo-me a Senhora a falta de polimento que tenho mas apanhei-a a nos mesmos sítios onde aprendi que bicha é bicha.

Está na altura certa, vou joga-lo.

Já o fiz.

Quando novamente acordar descrevo-lhes as reacções dos presentes a esta jogada de mestre…Conto mesmo…

 

OBRIGADO RAUL

Posted: 9th August 2009 by R. Guedes in Uncategorized

Obrigado RAUL,

 Hoje é o dia em que te levamos ao cemitério, levamos o teu corpo, tu continuas entre nós, no nosso bairro onde nasceste, onde brincaste onde aprendeste e ensinaste (Guilherme Cônsul), onde soubeste o que era uma pia de pedra na cozinha e a falta de uma casa de banho digna, onde haviam dias marcados para tomar banho (Quarta e Domingo), onde aprendeste a defender os pobres e a faze-los sorrir ate com um simples olhar ou uma atitude mais conseguida. Brincavas muito, mesmo muito mas quando foi preciso apanhaste o jeito de comerciante com o teu pai, falavas a todos fizeste-te um homem depressa, Brincavas muito, a minha mãe dividiu contigo e com os da vossa idade as brincadeiras improvisadas dos pobres, fazias das vassouras cavalos e dos cavalos homens, nunca tiveste vergonha do nosso bairro, como alguns que em vez do nome diziam o nome da freguesia, foste amigo do Casimiro e enquanto ele assistia ao teu sucesso nunca deixaste de o ser, foste sempre amigo.

Davas rebuçados aos putos quando saias da leitaria do Manuel Pedro (a mim), davas a Alma e nela encontravas em novos e em velhos tudo o que em ti nós encontrávamos.

Fazias rir apenas e só apenas porque tu fazias rir, porque toda a gente estava bem-disposta ao teu lado, escreveste um dia que na tua lápide querias algo parecido com: AQUI JAZ RAUL, CONTRA A SUA VONTADE, esqueceste-te de rectificar: CONTRA A NOSSA VONTADE.

Obrigado RAUL, O MELHOR GAGO DO MUNDO.

 

ESPERAR II

Posted: 5th July 2009 by R. Guedes in Uncategorized

Os enigmas que envolvem os mortais espevitam uma curiosidade activa, abrem portas com cuidados extremos, deixam tombar as tardes dentro das almas enquadradas em deuses temporais, fotografias de nós deixando os dias fluírem entre discrições da vida pessoal absolutamente invulgar.

Cada ser é um espaço único de atitudes, de diferenças, a serem interpretadas pelos outros completamente iguais, banais, concretos, misteriosamente inconsoláveis, selvagens, peregrinos a santuários de dúvidas e incertezas, de desunião entre a maneira de não ser e a negação deles próprios.

Aos enigmas que envolvem os mortais alcançam a eternidade…